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    Greve das universidades federais

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    Danielle Bandeira

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    Greve das universidades federais

    Mensagem  Danielle Bandeira em Sex Ago 17, 2012 3:44 am

    Oi, pessoal. cat
    Finalmente estou estreando no fórum do Chroma (depois de vários puxões de orelha Razz ).

    Bom, como eu não sabia como iniciar minha participação, resolvi criar esse tópico para debater sobre a greve das universidades federais e do funcionalismo público.

    Para quem não está acompanhando, vou fazer um resumo:

    Entre as pautas do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes SN) estão a reivindicação por reajuste salarial e reestruturação do plano de carreira, além de melhorias nas condições de trabalho e infraestrutura das universidades.

    A mobilização teve início no começo do ano, quando o sindicato de maior representatividade, o Andes, soltou notas alertando sobre uma possível greve em meados de maio. A greve teve início oficialmente em 17 de maio, com adesão de algumas universidades, e teve um crescimento contínuo durante as semanas seguintes.

    Ao final de junho o movimento nacional atingiu seu pico de adesão, com 95 de 99 instituições paralisadas, entre greve de professores, técnicos administrativos e/ou alunos.



    Na minha universidade (UFABC), nós, alunos, entramos em greve no dia 4 de junho em apoio aos professores e técnicos administrativos, que deflagraram greve em 5 e 11 de junho respectivamente. Desde então temos realizado atos pela região de Santo André e São Bernardo (onde estão localizados nossos dois campi), em conjunto com a Unifesp campus Diadema, que também entrou em greve, além de atos em locais de grande visibilidade, como na Avenida Paulista e em frente à Bovespa.

    Para a nossa universidade, especificamente, é um momento histórico, porque é nossa primeira greve (temos pouco tempo de existência: apenas 6 anos). Nosso movimento estudantil ainda está começando a ser construído e a universidade ainda está em processo de maturação do projeto pedagógico, mas a região onde estamos localizados é um ponto estratégico que nos favorece politicamente (famoso pólo industrial, tendo sido o primeiro centro da indústria automobilística brasileira, palco de diversas lutas sindicais dos trabalhadores e reduto do ex presidente Lula), por isso qualquer pressão que façamos, gera incômodo ao governo federal.

    No dia 18 de julho estive em Brasília para participar de uma manifestação nacional com servidores grevistas de várias universidades federais em greve, além de outras categorias do funcionalismo público.

    A seguir coloco meu relato sobre a ocasião, seguindo de um manifesto de repúdio às notícias mentirosas da mídia sobre os responsáveis por um pequeno tumulto ocorrido no prédio do Ministério da Educação:


    Relato sobre a manifestação dos servidores federais em Brasília e manifesto de repúdio à mídia e a estudantes irresponsáveis

    Chegamos (servidores e alunos, incluindo-me, da Universidade Federal do ABC) a Brasília com atraso e acabamos pegando apenas o fim da marcha, que ocorria na maior tranquilidade e organização. Logo depois, fora uma parte de manifestantes que foi embora, os demais, incluindo nós, começaram a se dispersar entre a avenida, o Ministério do Planejamento e o Ministério da Educação, e permaneceram ali.

    Entre falas de servidores no carro de som, balanço de bandeiras e gritos com frases elaboradas, em determinado momento chegou até nós a informação de que os estudantes presentes iam fazer uma manifestação PACÍFICA em frente ao MEC, e estavam chamando os demais para comparecer ao local.

    Eu e mais duas ou três pessoas, que acompanhávamos os técnicos administrativos da UFABC na região do Ministério do Planejamento, seguimos até o MEC quando, de repente, vimos objetos voando em direção à parede lateral do prédio, sendo alguns deles bexigas com tinta. Segundos depois algumas pessoas apareceram com spray na mão e começaram a pichar a parede. Os policiais mais próximos, que formavam um cordão humano, começaram a andar lentamente na direção do grupo de estudantes envolvidos. Foi então que uma massa de pessoas, constituída principalmente por membros do PSTU e da ANEL, se formou (chuto umas cem pessoas) e começou a gritar palavras de ordem e acusar os policiais de repressão.

    Percebendo o que estava acontecendo, os servidores tentaram acalmar o grupo que começou a confusão e pediram, pelo carro de som, para que eles parassem de fazer aquilo, pois a intenção do movimento era permanecer pacífico e sem confronto policial. Em certo momento também pediram para que a polícia parasse de reprimir os estudantes, o que foi um equívoco de quem não sabia ao certo o que estava acontecendo.

    Muitos de vocês sabem que não costumo defender policiais, pois além de alguns filhotes da ditadura permanecerem entre nós, é rotineiro observar repressão violenta deles a movimentos estudantis e grevistas, mas nesse caso não posso faltar com a verdade apenas para não admitir que dessa vez os errados foram os estudantes. Os policiais não levantaram um dedo, apenas caminharam na direção do grupo, na intenção de afastá-los do prédio do MEC e interromper a ação.

    Não sou ingênua a ponto de desconsiderar que esse comportamento pode ter sido estratégico, na medida em que se aproximavam câmeras e repórteres ávidos por gravar uma cena de violência e vandalismo. E a manchete ficaria ainda mais atraente se os policiais fossem atacados por objetos lançados pelos estudantes e mesmo assim continuassem não reagindo. Foi o que aconteceu... até que os policiais pararam e completaram o isolamento do prédio, enquanto o grupo de estudantes se desfazia e os jornalistas iam embora sorridentes com mais uma matéria sensacionalista alinhada com a inclinação política de seus chefes.

    Dessa forma, não houve confronto algum, pois para havê-lo é preciso que ambas as partes entrem em conflito, o que só ocorreu por parte dos estudantes. Toda a ação, dos objetos lançados no prédio do MEC até a dispersão do grupo, não durou mais do que CINCO minutos. No entanto, como vocês podem conferir nas mais variadas notícias sobre a marcha em Brasília, esse ato isolado foi intencionalmente superestimado para que a população fosse levada a entender que a manifestação inteira, que durou várias horas, foi uma confusão generalizada e que os grevistas são um bando de vândalos que "mamam das tetas do governo" e ainda "cospem no prato em que comeram". Não é à toa que os jornalistas incriminaram os servidores, colocando-os como os causadores da confusão, em vez de informar que o grupo dissidente era constituído por estudantes afiliados de partidos e associações estudantis.

    Após esse episódio lamentável, voltei para o Ministério do Planejamento para encontrar os servidores da minha universidade. Ficamos a maior parte do tempo com nossas faixas levantadas, observando toda a manifestação e tirando fotos, entre algumas vezes em que levantávamos a voz para contribuir com o coro que protestava pela negociação da Dilma com os servidores. Tempos mais tarde um sindicalista sugeriu, pelo carro de som, que as pessoas se reunissem para dar um abraço simbólico em volta do prédio do Ministério do Planejamento.

    Pegamos as faixas, fomos para a parte de trás do prédio, demos as mãos e aumentamos a corrente humana. Mais e mais pessoas chegavam para contribuir com o "abraço", que completou-se uns 15 minutos depois. Nesse intervalo, algumas pessoas chegaram nos dizendo que a polícia havia jogado gás de pimenta para afastar manifestantes (depois soubemos que, novamente, não eram servidores, mas sim um grupo de estudantes) na porta do prédio, e que estava insuportável ficar ali perto, por conta da ardência nos olhos.Então, a corrente se desfez e as pessoas começaram a se dispersar, até que entendemos que o ato havia acabado.

    Em vista de tudo o que foi dito anteriormente e na minha posição de estudante presente no ato ocorrido no dia 18 de julho de 2012, na cidade de Brasília, em apoio à greve dos professores e servidores federais, quero deixar meu repúdio às reportagens mentirosas veiculadas pela mídia, cuja intenção é desinformar a população acerca das condições e reivindicações dos professores e servidores federais e colocá-la contra o movimento grevista, a fim de enfraquecê-lo; e meu repúdio também à ação irresponsável dos estudantes que picharam o prédio do MEC, que mostrou-se claramente tomada por impulso e desprovida de qualquer reflexão ou estratégia que levasse a um resultado positivo para o movimento ou que pudesse justificar o dano ao patrimônio público.

    Danielle Bandeira
    19 de julho de 2012


    Última edição por Danielle Bandeira em Seg Ago 20, 2012 7:02 am, editado 4 vez(es)

    Alexandre Garcia da Silva

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    Re: Greve das universidades federais

    Mensagem  Alexandre Garcia da Silva em Sab Ago 18, 2012 2:43 am

    Dani, minha querida, gostaria que você desse sua opinião a respeito da maneira como a mídia tem abordado a questão da greve. Especialmente os grandes jornais, que sempre se apresentaram como referência de seriedade e de imparcialidade.

      Data/hora atual: Ter Jul 25, 2017 10:49 pm